Olá amiga(o)tudo bem? Quero agradecer pela sua visita a este espaço. Este blog é um lugar de amizade e informação entre pessoas. Que ele seja um lugar da mais Alta Shalom do Eterno. Desde Sião, que chuvas de bençãos caia sobre voçê e os seus amados. Que O Eterno D'us lhe exalte e bendiga! ✡ALESSANDRO MARTINS PAULA ✡: Outubro 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A íntegra do discurso de Benjamin Netanyahu na ONU

















Senhoras e senhores, Israel estendeu sua mão para a paz a partir do momento em que foi estabelecido, há 63 anos. Em nome de Israel e do povo judeu, eu estendo a mão de novo hoje. Estendo-a para o povo do Egito e da Jordânia, com renovada amizade por vizinhos com os quais assinamos [tratados de] a paz. Estendo-a ao povo da Turquia, com respeito e boa vontade. Estendo-a ao povo da Líbia e da Tunísia, com admiração por aqueles que procuram construir um futuro democrático. Estendo-a para os outros povos do norte da África e da Península Arábica, com quem queremos forjar um novo começo. Estendo-a ao povo de Síria, Líbano e Irã, com admiração pela coragem dos que lutam [contra a ] repressão brutal.

Mas, em especial, estendo minha mão para o povo palestino, com quem buscamos uma paz justa e duradoura.

Senhoras e senhores, em Israel nossa esperança de paz nunca diminui. Nossos cientistas, médicos, inovadores, usam seu talento para melhorar o mundo de amanhã. Nossos artistas, nossos escritores, enriquecem o patrimônio da humanidade. Agora, sei que essa não é exatamente a imagem de Israel que muitas vezes é retratada nesta sala. Afinal, foi aqui, em 1975, que o antigo anseio do meu povo para restaurar nossa vida nacional em nossa antiga pátria bíblica – foi quando esse [anseio] foi traçado… ou melhor, estigmatizado, vergonhosamente, como racismo. E foi aqui, em 1980, aqui mesmo, que o histórico acordo de paz entre Israel e Egito não foi elogiado; foi denunciado! E é aqui que ano após ano Israel é injustamente escolhido como vítima a ser condenada. É escolhido como vítima a ser condenada com maior frequência do que todas as nações do mundo, juntas. Vinte e uma das 27 resoluções da Assembléia Geral condenam Israel – a verdadeira democracia do Oriente Médio.

Bem, esse é um aspecto triste da ONU. É o… o teatro do absurdo. Não só Israel é apresentado como o vilão; com frequência, os verdadeiros vilões desempenham o papel de protagonistas: a Líbia de Kadafi presidiu a Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos; o Iraque de Saddam chefiou o Comitê da ONU sobre Desarmamento.

Pode-se dizer: isso é passado. Bem, aqui está o que acontece agora… exatamente agora, hoje. O Líbano, controlado pelo Hezbollah, preside o Conselho de Segurança da ONU. Isso significa que uma organização terrorista preside a instância encarregada de garantir a segurança do mundo.

Isso não poderia acontecer.

Então, aqui na ONU, maiorias podem decidir qualquer coisa de modo automático. Podem decidir que o Sol se põe no oeste ou nasce no oeste. Penso que a primeira alternativa já foi pré-ordenada. Mas essas maiorias também podem decidir… e decidiram, que o Muro das Lamentações, em Jerusalém, o lugar mais sagrado do judaísmo, é território palestino ocupado.

E até mesmo aqui, na Assembléia Geral, a verdade às vezes pode entrar. Em 1984, quando fui nomeado embaixador de Israel nas Nações Unidas, visitei o grande rabino de Lubavich. Ele me disse… e, senhoras e senhores, não quero que nenhum de vocês se ofenda por causa da experiência pessoal de servir aqui, sei que há muitos homens e mulheres honrados, muitas pessoas capazes e decentes servindo suas nações na ONU. Mas eis o que o rabino me disse. Ele me disse: você vai servir numa casa de muitas mentiras. E então falou: lembre que, até mesmo no lugar mais escuro, a luz de uma única vela pode ser vista em toda parte.

Hoje espero que a luz da verdade brilhe, mesmo que apenas por alguns minutos, em um salão que há muito tempo tem sido um local de trevas para meu país. Como primeiro-ministro de Israel, não vim aqui para ganhar aplausos. Vim aqui para falar a verdade. A verdade é… a verdade é que Israel quer a paz. A verdade é que eu quero a paz. A verdade é que no Oriente Médio, em todos os momentos, mas especialmente nestes dias turbulentos, a paz deve ser ancorada na segurança. A verdade é que não podemos alcançar a paz por intermédio de resoluções da ONU, mas apenas por meio de negociações diretas entre as partes. A verdade é que até agora os palestinos se recusaram a negociar. A verdade é que Israel quer a paz com um Estado palestino, mas os palestinos querem um Estado sem paz. E a verdade é que a ONU não deve deixar isso acontecer.

Senhoras e senhores, quando cheguei aqui, há 27 anos, o mundo estava dividido entre o Oriente e o Ocidente. Ao longo desse período, a guerra fria terminou, as grandes civilizações se levantaram de séculos de sono, centenas de milhões de pessoas foram retiradas da pobreza, incontáveis mais estão prontas para acompanhá-las, e a coisa notável é que até agora essa mudança histórica monumental em grande parte ocorreu de maneira pacífica.No entanto, um tumor maligno que ameaça a paz de todos cresce entre Oriente e Ocidente,. Ele procura não libertar, mas escravizar, não construir, mas destruir.

Esse tumor maligno é o islamismo militante. Ele se esconde no manto de uma grande fé, ainda que assassine judeus, cristãos e muçulmanos com imparcialidade implacável. Em 11 de setembro [de 2001], matou milhares de estadunidenses, e deixou as torres gêmeas em ruínas, ardendo em fogo. Na noite passada, coloquei uma coroa de flores no memorial de 11 de setembro. Foi profundamente comovente. Mas, enquanto eu me encaminhava para lá, algo ecoou em minha mente: as palavras ultrajantes do presidente do Irã, ontem, aqui nesta tribuna. Ele deu a entender que o 11 de setembro foi uma conspiração estadunidense. Alguns de vocês deixaram esta sala. Todos deveriam tê-la deixado.

Desde 11 de setembro, militantes islâmicos abateram inúmeros outros inocentes – em Londres e Madri, em Bagdá e Mumbai, em Tel Aviv e Jerusalém, em toda parte de Israel. Acredito que o maior perigo enfrentado pelo mundo é que esse fanatismo vai munir-se de armas nucleares. E é precisamente isso que o Irã está tentando fazer.

Vocês podem imaginar que o homem que vociferava aqui ontem… podem imaginá-lo com armas nucleares? A comunidade internacional deve deter o Irã antes que seja tarde demais. Se o Irã não for detido, vamos todos enfrentar o fantasma do terrorismo nuclear, e a Primavera Árabe poderá tornar-se, em breve, um inverno iraniano. Isso seria uma tragédia. Milhões de árabes tomaram as ruas para substituir a tirania pela liberdade, e ninguém se beneficiaria mais do que Israel se aqueles comprometidos com a liberdade e a paz prevalecessem.

Essa é minha esperança fervorosa. Mas, como primeiro-ministro de Israel, não posso arriscar o futuro do Estado judeu em utopias. Os líderes devem ver a realidade como ela é, não como deveria ser. Devemos fazer o nosso melhor para moldar o futuro, mas não podemos escamotear os perigos do presente.

E o mundo em torno de Israel está, definitivamente, tornando-se mais perigoso. O islamismo militante já tomou o Líbano e Gaza. Está determinado a rasgar os tratados de paz entre Israel e Egito e entre Israel e Jordânia. Está envenenando muitas mentes árabes contra os judeus e Israel, contra os Estados Unidos e o Ocidente. Opõe-se não às políticas de Israel, mas à existência de Israel.

Agora, alguns argumentam que a disseminação do islamismo militante, especialmente nestes tempos turbulentos… se você quiser retardá-lo, alegam, Israel deve se apressar em fazer concessões, em fazer concessões territoriais. E essa teoria parece simples. Basicamente, é assim: deixe o território e a paz avançará. Os moderados sairão fortalecidos, os radicais serão encurralados. E não se preocupe com os incômodos detalhes de como Israel vai se defender; tropas internacionais farão o trabalho.

Essas pessoas me dizem constantemente: basta fazer uma oferta abrangente e tudo vai dar certo. Vocês sabem, há apenas um problema com essa teoria. Nós a tentamos e não funcionou. Em 2000, Israel fez uma oferta de paz abrangente que cobriu praticamente todas as exigências palestinas. Arafat a rejeitou. Os palestinos, em seguida, lançaram um ataque terrorista que custou milhares de vidas israelenses.

O primeiro-ministro Olmert fez uma oferta ainda mais ampla em 2008. O presidente Abbas nem sequer respondeu a ela.

Mas Israel fez mais do que apenas propor ofertas abrangentes. Nós deixamos o território. Nos retiramos do Líbano em 2000 e de cada centímetro quadrado de Gaza em 2005. Isso não acalmou a tempestade islâmica, a tempestade militante islâmica que nos ameaça. Isso só trouxe a tempestade mais perto e a tornou mais forte.

Hezbollah e Hamas dispararam milhares de foguetes contra nossas cidades de cada território que abandonamos. Vejam, quando Israel deixou o Líbano e Gaza, os moderados não derrotaram os radicais, os moderados foram devorados pelos radicais. E lamento dizer que as tropas internacionais, como UNIFIL no Líbano e UBAM (ph) em Gaza não impediram os radicais de atacar Israel.

Saímos de Gaza na esperança da paz.

Não congelamos as colônias na Faixa de Gaza; nós as tiramos de lá. Fizemos exatamente o que a teoria diz: saiam, voltem às fronteiras de 1967, desmantelem as colônias.

E não creio que as pessoas se lembrem quão longe fomos para conseguir isso. Tiramos milhares de pessoas de suas casas. Tiramos crianças de… de suas escolas e de seus jardins de infância. Destruímos sinagogas. Nós até mesmo… até mesmo tiramos entes queridos de seus túmulos. E, em seguida, tendo feito tudo isso, entregamos as chaves de Gaza ao presidente Abbas.

Ora, a teoria diz que isso deve dar certo, e o presidente Abbas e a Autoridade Palestina poderiam construir um Estado pacífico em Gaza. Vocês pode se lembrar de que o mundo inteiro aplaudiu. Eles aplaudiram nossa retirada como um ato de grande habilidade política. Foi um ato corajoso de paz.

Mas, senhoras e senhores, nós não conseguimos a paz. Alcançamos a guerra. Alcançamos o Irã, que, por meio de seu plenipotenciário Hamas, prontamente expulsou a Autoridade Palestina. A Autoridade Palestina entrou em colapso em um dia… em um dia.

O presidente Abbas disse nesta tribuna que os palestinos estão armados apenas com suas esperanças e seus sonhos. Sim, esperanças, sonhos e 10 mil mísseis e foguetes Grad fornecidos pelo Irã, para não mencionar o rio de armas letais fluindo agora para Gaza do Sinai, da Líbia e de outros locais.

Milhares de mísseis já choveram sobre nossas cidades. Então vocês podem entender que, dado tudo isso, os israelenses perguntem, de modo correto: como evitar que isso aconteça também na Cisjordânia? Vejam, a maioria de nossas principais cidades do sul do país estão a algumas dezenas de quilômetros de Gaza. Mas no centro do país, em frente à Cisjordânia, nossas cidades estão a algumas centenas de metros ou, no máximo, a poucos quilômetros de distância da fronteira da Cisjordânia.

Por isso quero perguntar a vocês. Será que algum de vocês… que qualquer um de vocês traria o perigo para tão perto de suas cidades, de suas famílias? Vocês agiriam de maneira tão descuidada com a vida de seus cidadãos? Israel está preparado para ter um Estado palestino na Cisjordânia, mas não estamos preparados para ter outra Gaza lá. E é por isso que precisamos ter acordos de segurança reais, que os palestinos simplesmente se recusam a negociar conosco.

Os israelenses se lembram das lições amargas de Gaza. Muitos dos críticos de Israel as ignoram. Eles, de maneira irresponsável, aconselham Israel a ir por esse caminho arriscado mais uma vez. Ao ler-se o que essas pessoas dizem, é como se nada tivesse acontecido… elas apenas repetem os mesmos conselhos, as mesmas fórmulas, como se nada disso houvesse ocorrido.

E esses críticos continuam a pressionar Israel a fazer concessões de larga escala, sem primeiro garantir a segurança de Israel. Louvam como estadistas louváveis aqueles que, de modo involuntário, alimentam o crocodilo insaciável do islamismo militante. Apresentam como inimigos da paz aqueles de nós que insistem que devemos primeiro construir uma barreira resistente para manter o crocodilo de fora, ou no mínimo colocar uma barra de ferro entre suas mandíbulas escancaradas.

Assim, diante de rótulos e calúnias, Israel deve considerar melhor conselho. Melhor uma imprensa ruim do que um elogio bom, e melhor ainda seria uma imprensa justa, cujo sentido da história se estendesse além do café da manhã, e que reconhecesse as preocupações legítimas de Israel com sua segurança.

Acredito que em negociações sérias de paz, essas necessidades e preocupações podem ser devidamente tratadas, mas não serão resolvidas sem negociações. E as necessidades são muitas, porque Israel é um país bem pequeno. Sem Judeia e Samaria, a Cisjordânia, Israel tem, ao todo, nove milhas de largura.

Quero colocar isso em perspectiva, porque vocês estão todos nesta cidade. Isso [nove milhas] corresponde a cerca de dois terços do comprimento de Manhattan.É a distância entre Battery Park e Universidade de Colúmbia. E não se esqueçam de que as pessoas que vivem no Brooklyn e em Nova Jersey são consideravelmente mais agradáveis do que alguns dos vizinhos de Israel.

Assim, como vocês… como vocês protegem um país tão pequeno, cercado por pessoas que juraram sua destruição e armados até os dentes pelo Irã? Obviamente vocês não podem defendê-lo apenas nesse espaço estreito. Israel precisa de maior profundidade estratégica, e é exatamente por isso que a Resolução 242 do Conselho de Segurança não exige que Israel deixe todos os territórios tomados na Guerra dos Seis Dias. Ele fala na retirada dos territórios, para fronteiras seguras e defensáveis. E, para se defender, Israel deve manter uma presença militar de longo prazo em áreas estratégicas, críticas, da Cisjordânia.

Expliquei isso ao presidente Abbas. Ele respondeu que, para ser soberano, o Estado palestino jamais poderia aceitar tais acordos. Por que não? Os Estados Unidos manteve tropas no Japão, na Alemanha e na Coréia do Sul por mais de meio século. A Grã-Bretanha teve um espaço aéreo em Chipre, ou melhor, uma base aérea em Chipre. A França tem forças em três nações independentes da África. Nenhum desses Estados alega que não é soberano.

E há muitas outras questões de segurança vital que também devem ser abordadas. Vejamos a questão do espaço aéreo. Mais uma vez, as pequenas dimensões de Israel criam problemas enormes de segurança. Os Estados Unidos podem ser atravessados por avião a jato em seis horas. Para cruzar Israel, um avião leva três minutos. Então, o minúsculo espaço aéreo de Israel pode ser cortado pela metade e dado a um Estado palestino [que] não [está] em paz com Israel?

Nosso maior aeroporto internacional está a poucos quilômetros da Cisjordânia. Sem paz, nossos aviões vão se tornar alvos de mísseis antiaéreos colocados a nosso lado, no Estado palestino? E como vamos deter o contrabando na Cisjordânia? [O problema] Não é apenas a Cisjordânia, são as montanhas da Cisjordânia. Elas dominam a planície costeira, abaixo da qual fica a maioria da população de Israel. Como poderíamos evitar o contrabando, nessas montanhas, dos mísseis que poderiam ser atirados em nossas cidades?

Trago esses problemas porque eles não são problemas teóricos. São muito reais. E, para os israelenses, são assunto de vida e morte. Todas essas potenciais aberturas na segurança de Israel têm de ser fechadas num acordo de paz antes de um Estado palestino ser declarado, e não depois, porque, se deixarmos isso para depois, elas não serão fechadas. E esses problemas vão explodir em nossa cara e explodirão a paz.

Os palestinos devem primeiro fazer a paz com Israel e, em seguida, obter o seu Estado. Mas eu também quero dizer-lhes isso. Depois de um acordo de paz assim ser assinado, Israel não será o último país a dar as boas vindas a um Estado palestino como novo membro das Nações Unidas. Será o primeiro.

E há mais uma coisa. O Hamas tem violado a lei internacional, mantendo nosso soldado Gilad Shalit preso há cinco anos.

Eles ainda não permitiram uma única visita da Cruz Vermelha. Ele [Shalit] é mantido num calabouço, na escuridão, contra todas as normas internacionais. Gilad Shalit é filho de Aviva e Noam Shalit. É neto de Zvi Shalit, que escapou do holocausto vindo à… na década de 1930, como um menino, para a terra de Israel. Gilad Shalit é filho de cada família israelense. Cada nação aqui representada deve exigir sua libertação imediata. Se vocês quiserem… se vocês quiserem aprovar uma resolução sobre o Oriente Médio hoje, essa é a resolução que devem aprovar.

Senhoras e denhores, no ano passado, em Israel, na Universidade de Bar-Ilan, este ano no Knesset e no Congresso dos EUA, dei minha visão para a paz, em que um Estado palestino desmilitarizado reconhece o Estado judeu. Sim, o Estado judeu. Afinal, este é o órgão [ONU] que reconheceu o Estado judeu há 64 anos.Agora, vocês não acham que é hora de os palestinos fazerem o mesmo?

O Estado judeu de Israel sempre protegerá os direitos de todas as suas minorias, incluindo os mais de um milhão de cidadãos árabes de Israel. Eu gostaria de poder dizer a mesma coisa sobre um futuro Estado palestino, pois como as autoridades palestinas deixaram claro outro dia… na verdade, acho que fizeram isso aqui, em Nova York… eles disseram que o Estado palestino não vai permitir nenhum judeu em seu território. Eles serão um país sem judeus – Judenrein.Isso é limpeza étnica. Existem leis hoje, em Ramallah, que tornam a venda de terras a judeus punível com a morte. Isso é racismo. E vocês sabes que leis isso evoca.

Israel não tem intenção de mudar o caráter democrático de nosso estado. Nós apenas não queremos que os palestinos tentem mudar o caráter judaico do nosso Estado. Queremos desistir… queremos que eles desistam da fantasia de inundar Israel com milhões de palestinos.

O presidente Abbas esteve aqui [na tribuna] e disse que o núcleo do conflito israelense-palestino são as colônias. Bem, isso é estranho.Nosso conflito vem sendo travado há… grassava há quase meio século antes que houvesse uma única colônia israelense na Cisjordânia. Portanto, se o que o presidente Abbas diz é verdade, então a… acho que as colônias a que ele se refere são Tel Aviv, Haifa, Jaffa, Beer Sheva. Talvez fosse a isso que ele se referiu quando disse que Israel vem ocupando terras palestinas há 63 anos. Ele não disse a partir de 1967, ele disse a partir de 1948. Espero que alguém se preocupe em fazer-lhe essa pergunta, porque ela ilustra uma verdade simples: o núcleo do conflito não são as colônias. As colônias são um resultado do conflito.

As colônias têm de ser… é uma questão que tem de ser abordada e resolvida no decorrer das negociações. Mas o núcleo do conflito sempre foi e, infelizmente, continua a ser a recusa dos palestinos em reconhecer um Estado judeu em qualquer fronteira.

Acho que é tempo de a liderança palestina reconhecer o que todo líder internacional sério reconheceu, de Lorde Balfour e Lloyd George, em 1917, ao presidente Truman, em 1948, ao presidente Obama, há apenas dois dias, aqui mesmo: Israel é o Estado judeu.

Presidente Abbas, pare de andar em torno desta questão.Reconheça o Estado judeu, e faça a paz conosco. Numa paz tão genuína, Israel está preparado para fazer concessões dolorosas.Acreditamos que os palestinos não devem ser nem cidadãos de Israel, nem seus súditos. Devem viver num estado livre e próprio. Mas devem estar prontos, como nós, para o compromisso. E nós sabemos que eles estão prontos para o compromisso e para a paz quando começarem a levar a sério as exigências de segurança de Israel e quando pararem de negar nossa ligação histórica à nossa antiga terra natal.

Muitas vezes os ouvi acusar Israel de judaizar Jerusalém. É como acusar os Estados Unidos de estadunizar Washington, ou a Grã-Bretanha de anglicizar Londres. Vocês sabem por que somos chamados “judeus”? Porque viemos da Judeia.

No meu gabinete, em Jerusalém, há um… há um selo antigo. É o timbre de um oficial judeu da época da Bíblia. O selo foi encontrado ao lado do Muro das Lamentações, e isso remonta há 2.700 anos, ao tempo do rei Ezequias. Agora, há o nome do funcionário judeu inscrito no timbre, em hebraico. Seu nome era Netanyahu. Esse é o meu sobrenome. Meu primeiro nome, Benjamin, remonta a mil anos antes de Benjamin – Binyamin – filho de Jacó, também conhecido como Israel. Jacó e seus 12 filhos percorriam essas mesmas colinas da Judeia e Samaria há 4 mil anos, e tem havido uma presença judaica contínua naquela terra desde então.

E os judeus que foram exilados de nossa terra nunca deixaram de sonhar com a volta: judeus na Espanha, na véspera da sua expulsão; judeus na Ucrânia, fugindo dos pogroms; judeus lutando contra o gueto de Varsóvia, quando os nazistas o cercaram. Eles nunca deixaram de rezar, eles nunca deixaram de ter saudade. Sussurravam: no próximo ano em Jerusalém. No próximo ano na terra prometida.

Como primeiro-ministro de Israel, falo por uma centena de gerações de judeus que foram dispersos pelas nações, que sofreram todo o mal sob o Sol, mas que nunca perderam a esperança de restabelecer a sua vida nacional no primeiro e único Estado judeu.

Senhoras e senhores, continuo a esperar que o presidente Abbas seja meu parceiro na paz. Trabalhei duro para fazer avançar a paz. No dia em que tomei posse, pedi negociações diretas sem condições prévias. O presidente Abbas não respondeu. Estabeleci como objetivo a paz de dois Estados para dois povos. Ele ainda não respondeu. Tirei centenas de bloqueios e de postos de controle [checkpoints, no original] para facilitar a liberdade de movimento nas áreas palestinas, o que facilitou um crescimento fantástico da economia palestina. Mas, de novo, sem resposta. Tomei a medida sem precedentes de congelar novas construções nas colônias por 10 meses. Nenhum primeiro-ministro fez isso antes, nunca. Mais uma vez… vocês aplaudem, mas não houve resposta. Nenhuma resposta.

Na últimas semanas, autoridades estadunidenses propuseram ideias para reiniciar as conversações de paz. Havia coisas nessas idéias sobre as fronteiras de que não gostei. Havia coisas lá sobre o Estado judeu que, tenho certeza, os palestinos não gostaram.

Mas, com todas as minhas reservas, eu estava disposto a avançar com base nessas ideias estadunidenses.

Presidente Abbas, por que não se junta a mim? Temos que parar de negociar sobre as negociações. Vamos apenas seguir em frente. Vamos negociar a paz.

Passei anos defendendo Israel no campo de batalha. Passei décadas defendendo Israel no tribunal da opinião pública. Presidente Abbas, você dedicou sua vida a promover a causa palestina. Esse conflito deve continuar por gerações ou vamos permitir que nossos filhos e netos falem, nos próximos anos, em como encontramos um modo de acabar com ele? Esse deve ser nosso objetivo, e é isso que, acredito, podemos alcançar.

Em dois anos e meio, nós nos encontramos em Jerusalém apenas uma vez, apesar de minha porta sempre ter estado aberta para você. Se quiser, vou a Ramallah. Na verdade, tenho uma sugestão melhor. Nós dois voamos milhares de quilômetros até Nova York. Agora estamos na mesma cidade. Estamos no mesmo edifício. Então, vamos nos reunir aqui hoje, nas Nações Unidas. Quem nos deteria? O que nos deteria? Se realmente queremos a paz, o que nos impediria de reunirmo-nos hoje e dar início às negociações de paz?

E sugiro que falemos aberta e honestamente. Vamos ouvir um ao outro. Vamos fazer como dizemos no Oriente Médio: vamos dizer “doogri”. Isso significa “franqueza”. Falarei sobre minhas necessidades e preocupações. Você falará sobre as suas. E, com a ajuda de Deus, vamos encontrar um terreno comum para a paz.

Há um velho ditado árabe segundo o qual não se pode bater palmas com uma só mão. Bem, o mesmo é verdade em relação à paz. Não posso fazer a paz sozinho. Não posso fazer a paz sem você. Presidente Abbas, estendo minha mão – a mão de Israel – em paz. Espero que você aperte essa mão. Somos ambos filhos de Abraão. Meu povo o chama Avraham. Seu povo o chama Ibrahim. Partilhamos o mesmo patriarca. Vivemos na mesma terra. Nossos destinos estão interligados. Vamos realizar a visão de Isaías (fala em hebraico): “As pessoas que caminham na escuridão verão uma grande luz”. Deixe que essa luz seja a luz da paz.

Tradução: Baby Siqueira Abrão

Fonte:Blog JJO – Juventude Judaica Organizada
http://www.jubiel.com.br/JJO/blog/